Esse é um modelo de treinamento muito antigo, sobretudo na Europa. Na América Latina e no Brasil sua difusão também possui longa data, porém, parece que por uma questão de modismo, a aplicação desse sistema, atualmente, virou uma coqueluche entre entusiastas e profissionais da educação física.

Agachamento II - PisarenkoExistem, basicamente, três métodos de treinamento onde o treinamento de alta intensidade se encaixa: o intervalado, conhecido popularmente como circuito, o treinamento de força, e o treinamento de potência. E apesar da existência de vários métodos de treinamento de alta intensidade, a maioria das pessoas acha que esse tipo de treinamento é somente o circuito, porque acreditam que só ele promova um grande gasto calórico. Muitas vezes baseadas em informações errôneas dadas por profissionais despreparados e/ou por diversos veículos da imprensa. Na verdade, os treinamentos de força e de potência possuem um gasto calórico absurdo, e muitas vezes até mais do que um treino de circuito. Tudo isso depende muito do cardápio de exercícios que serão selecionados.circuit-training.1

É importante que se entenda que há diversas variáveis que compõem a prescrição e estratégia de qualquer modelo de treinamento, como a seleção de exercícios, a carga de treinamento, os sistemas energéticos a serem trabalhados e as capacidades físicas que serão utilizadas de acordo com as necessidades e nível de condicionamento do atleta ou do aluno. Tudo dentro de uma sequência pedagógica bastante criteriosa.

Portanto, antes de prescrever qualquer espécie de treinamento de alta intensidade e também através do método intervalado, o treinador deve definir o planejamento do treinamento e saber muito bem quais exercícios serão selecionados na composição desse treinamento para que ele seja bem equilibrado e com uma boa expressão.

LPO 2

Treinando de verdade o abdome

November 19, 2012

Os exercícios de abdominais sempre foram cercados de incontáveis mitos, paradigmas e fórmulas. Sempre se achou que quanto maior a quantidade de abdominais realizados, mais condicionado ele se tornaria. Pois esse conceito está perdendo espaço gradativamente, graças a numerosos estudos eletromiográficos que comprovam o contrário.

O efeito e a intensidade de um treino abdominal são ditados ou pela instabilidade, ou pela amplitude de movimento, ou por ambos, conforme as características biomecânicas de um dado exercício, determinado assim, o quanto de ativação muscular o abdome terá que gerar. Ou seja, quanto mais difícil a execução de um abdominal, mais intenso ele será.

Alguns exercícios têm uma alta taxa de ativação muscular do abdome, como por exemplo, alguns dos que são feitos com bola, outros com grande amplitude de movimento do tronco ou quadril – este no caso de se fazer com o corpo ereto – e até mesmo o agachamento com barra livre, todos eles com uma taxa de quase 100% de ativação muscular do abdome. Se realizarmos um desses exercícios intensos por dia (3×30 a 50, por exemplo, e o agachamento 3×10), umas três vezes por semana, os resultados serão mais satisfatórios do que se executarmos 1000 abdominais por dia daqueles “simplezinhos”. É a qualidade que importa.

Entretanto, alguns cuidados são necessários antes de fazer esses exercícios: pessoas com restrições clínicas importantes na coluna ou com um baixo nível de condicionamento não estão aptas a realizá-los, porque quanto maior a taxa de ativação do músculo, maior a exigência mecânica na coluna, que deve estar devidamente fortalecida para isso. De qualquer forma, é de suma importância buscar a orientação de um profissional de educação física qualificado.

 

Já é amplamente bem documentado e comprovado, os benefícios dos exercícios com pesos sobre a capacidade funcional, força de membros inferiores, aumento da densidade mineral óssea, aumento da massa muscular, maior gasto calórico em repouso pelo aumento do metabolismo basal, diminuição de gordura, melhora da mobilidade, melhora da postura, melhora da função cardiovascular, equilíbrio da regulação hormonal, entre outros, na população idosa. Dentre todos os estudos que investigam os efeitos do treinamento de força em idosos, os que mostram resultados significativos, são aqueles que se utilizam de programas de treinamento com altas intensidades de sobrecarga. 

Diante desse quadro, podemos perceber com clareza que todo esse aglomerado de benefícios ocorre também na população jovem e de meia idade, e de uma forma mais exuberante e abrangente, pois todos os decréscimos fisiológicos pelos quais somos submetidos com o avanço da idade serão inibidos pela prática de treinamentos com pesos, proporcionando-nos um envelhecimento saudável e com independência funcional.

Dentre os sistemas de treinamentos com pesos, os mais eficientes para um envelhecimento saudável são o Treinamento Funcional com cargas tensionais, pesos livres e cabos, e o Levamento de Peso Olímpico. Esses dois sistemas se utilizam de um trabalho muscular amplo e integrado, fazendo com que os benefícios gerais sejam muito maiores e com mais qualidade do que os sistemas convencionais.

Referência bibliográfica:

Posicionamento Oficial American College of Sports Medicine. Mazzeo, Cavanagh, Evans, Fiatarone, Hagberg, McAuley, Startzel (1998).

Em épocas remotas, o homem necessitava do corpo e da sua desenvoltura física para sobreviver. Todas as suas atividades, desde as mais simples às mais complexas, dependiam de um rendimento físico satisfatório, tendo em vista o ambiente extremamente hostil ao qual era submetido.

Todos os recursos que o nosso corpo dispõe hoje são idênticos aos do homem primitivo. Padrões de movimentos, habilidades motoras e sistemas fisiológicos são exatamente os mesmos em épocas atuais e primitivas. A grande diferença é que hoje em dia, nós utilizamos a atividade física de forma sistematizada e metodológica, de maneira esportiva ou recreativa, organizada dentro das mais diversas técnicas, buscando sempre qualidade de vida, bem-estar e performance. Totalmente diferente do homem primitivo, que utilizava as ferramentas do corpo de uma forma aleatória, somente para a realização das suas necessidades primordiais – que eram física e demasiadamente exigentes – e, sobretudo, para a sua sobrevivência.