Esse é um modelo de treinamento muito antigo, sobretudo na Europa. Na América Latina e no Brasil sua difusão também possui longa data, porém, parece que por uma questão de modismo, a aplicação desse sistema, atualmente, virou uma coqueluche entre entusiastas e profissionais da educação física.

Agachamento II - PisarenkoExistem, basicamente, três métodos de treinamento onde o treinamento de alta intensidade se encaixa: o intervalado, conhecido popularmente como circuito, o treinamento de força, e o treinamento de potência. E apesar da existência de vários métodos de treinamento de alta intensidade, a maioria das pessoas acha que esse tipo de treinamento é somente o circuito, porque acreditam que só ele promova um grande gasto calórico. Muitas vezes baseadas em informações errôneas dadas por profissionais despreparados e/ou por diversos veículos da imprensa. Na verdade, os treinamentos de força e de potência possuem um gasto calórico absurdo, e muitas vezes até mais do que um treino de circuito. Tudo isso depende muito do cardápio de exercícios que serão selecionados.circuit-training.1

É importante que se entenda que há diversas variáveis que compõem a prescrição e estratégia de qualquer modelo de treinamento, como a seleção de exercícios, a carga de treinamento, os sistemas energéticos a serem trabalhados e as capacidades físicas que serão utilizadas de acordo com as necessidades e nível de condicionamento do atleta ou do aluno. Tudo dentro de uma sequência pedagógica bastante criteriosa.

Portanto, antes de prescrever qualquer espécie de treinamento de alta intensidade e também através do método intervalado, o treinador deve definir o planejamento do treinamento e saber muito bem quais exercícios serão selecionados na composição desse treinamento para que ele seja bem equilibrado e com uma boa expressão.

LPO 2

Treinamento e recuperação

January 26, 2013

Como já foi mencionado anteriormente em outros posts, já é bem documentado pela ciência que volumes altos de treinamento ou passar horas na academia não proporcionam resultados positivos, principalmente se for comparado com sessões de treino mais curtas e com mais qualidade. Isso vale tanto para atletas quanto para entusiastas.

O treinamento físico é uma forma de estresse para o organismo, e é durante a recuperação adequada desse estresse que os nossos sistemas fisiológicos criarão ajustes que farão com que os seus efeitos se tornem favoráveis ao corpo, é o que chamamos de Supercompensação. Se treinamos muito, a recuperação terá que ser proporcional, e muitas vezes não há um tempo hábil para que isso ocorra, porque a pessoa mal informada ou teimosa acha que tem de treinar forte todos os dias, “pensando” que quanto mais melhor e em questão de pouco tempo ela estará esgotada.

É preciso valorizar mais a recuperação e menos o estresse. Muita gente se quebra, porque  faz justamente o contrário.

Image

Treinando de verdade o abdome

November 19, 2012

Os exercícios de abdominais sempre foram cercados de incontáveis mitos, paradigmas e fórmulas. Sempre se achou que quanto maior a quantidade de abdominais realizados, mais condicionado ele se tornaria. Pois esse conceito está perdendo espaço gradativamente, graças a numerosos estudos eletromiográficos que comprovam o contrário.

O efeito e a intensidade de um treino abdominal são ditados ou pela instabilidade, ou pela amplitude de movimento, ou por ambos, conforme as características biomecânicas de um dado exercício, determinado assim, o quanto de ativação muscular o abdome terá que gerar. Ou seja, quanto mais difícil a execução de um abdominal, mais intenso ele será.

Alguns exercícios têm uma alta taxa de ativação muscular do abdome, como por exemplo, alguns dos que são feitos com bola, outros com grande amplitude de movimento do tronco ou quadril – este no caso de se fazer com o corpo ereto – e até mesmo o agachamento com barra livre, todos eles com uma taxa de quase 100% de ativação muscular do abdome. Se realizarmos um desses exercícios intensos por dia (3×30 a 50, por exemplo, e o agachamento 3×10), umas três vezes por semana, os resultados serão mais satisfatórios do que se executarmos 1000 abdominais por dia daqueles “simplezinhos”. É a qualidade que importa.

Entretanto, alguns cuidados são necessários antes de fazer esses exercícios: pessoas com restrições clínicas importantes na coluna ou com um baixo nível de condicionamento não estão aptas a realizá-los, porque quanto maior a taxa de ativação do músculo, maior a exigência mecânica na coluna, que deve estar devidamente fortalecida para isso. De qualquer forma, é de suma importância buscar a orientação de um profissional de educação física qualificado.

 

Quando se fala da prática de esportes, logo se pensa nos seus benefícios físicos. Contudo, além disso, vêm à tona também vários outros aspectos positivos, dentre eles podemos destacar os sociais e psicológicos.

É evidente que os praticantes de qualquer modalidade esportiva têm os seus sistemas fisiológicos mais equilibrados e ajustados para as eventuais solicitações físicas das mais diversas origens, cujas quais, todos nós estamos sujeitos e expostos. Quanto mais cedo se der essa prática, mais latente isso será durante todas as fases da vida, mesmo que a prática esportiva seja interrompida. É uma memória que o corpo carregará pela vida.

A pessoa que pratica esporte tem seu sentimento de cidadania enriquecido, através do desenvolvimento da disciplina, do respeito (aos colegas, adversários, treinadores ou professores, etc.), e de outras nuances que fazem parte desse meio. Atrelado a isso, os percalços, as alegrias, as frustrações, a superação, e outras experiências vividas no esporte exercitam a confiança e a auto afirmação do indivíduo, fazendo com que ele conviva melhor em sociedade e em família, e se torne mais preparado para vida.

Por isso, é importante haver uma mobilização maior dos nossos governantes e autoridades, no sentido de se criar um modelo de planejamento estrutural abrangente, voltado ao incentivo à prática de esportes no país, principalmente dentro do sistema educacional.

Em épocas remotas, o homem necessitava do corpo e da sua desenvoltura física para sobreviver. Todas as suas atividades, desde as mais simples às mais complexas, dependiam de um rendimento físico satisfatório, tendo em vista o ambiente extremamente hostil ao qual era submetido.

Todos os recursos que o nosso corpo dispõe hoje são idênticos aos do homem primitivo. Padrões de movimentos, habilidades motoras e sistemas fisiológicos são exatamente os mesmos em épocas atuais e primitivas. A grande diferença é que hoje em dia, nós utilizamos a atividade física de forma sistematizada e metodológica, de maneira esportiva ou recreativa, organizada dentro das mais diversas técnicas, buscando sempre qualidade de vida, bem-estar e performance. Totalmente diferente do homem primitivo, que utilizava as ferramentas do corpo de uma forma aleatória, somente para a realização das suas necessidades primordiais – que eram física e demasiadamente exigentes – e, sobretudo, para a sua sobrevivência.

Nos últimos anos, muitos treinadores e praticantes de atividade física, têm incluído em sua programação de treinamento, exercícios que utilizam alguma situação de desequilíbrio em acessórios como bolas, bosus, pranchas, entre outros.

Esses exercícios agem nas regiões mais intrínsecas da musculatura do corpo, atingindo os mecanismos neurais, que levam a informação da situação de desequilíbrio para o cérebro e que, por sua vez, responde reorganizando as estruturas coordenativas do corpo para o reequilíbrio. Essas ‘trocas de informações’ obrigam o corpo a criar adaptações que levam a uma maior consciência corporal, agilizando a capacidade de reação do corpo, e tornando-nos menos propensos a lesões articulares causadas, principalmente, por entorses.

Porém, é preciso ter cautela, quando da prescrição desses exercícios. Não é recomendável a utilização de pesos ou qualquer outro implemento durante a sua execução. Isso pode causar uma situação de desequilíbrio extremo, correndo risco de ocasionar lesões e acidentes. Fazer força e se equilibrar é uma situação que não combina. Outro caso que também não dá certo são os exercícios que não tem nada a ver com o objetivo da pessoa, por exemplo: uma dona de casa que almeja apenas melhorar o seu condicionamento físico, jamais deve realizar um agachamento de pé sobre uma bola. Portanto, é necessário haver coerência e bom senso na preconização desses exercícios.

Veja alguns exemplos de exercícios em superfícies instáveis:

A realização de um determinado movimento associado à utilização da força muscular, seja no meio esportivo ou no cotidiano, requer um trabalho sincronizado e extremamente complexo do nosso sistema nervoso central (SNC) juntamente com os músculos solicitados. Incontáveis células nervosas estão conectadas em cada fibra muscular do nosso corpo e nas miofibrilas que as compõem. Essas células nervosas ou neurônios funcionam como canais de comunicação entre o cérebro e a medula espinal e os músculos.

Diante disso, temos dois fatores cruciais que agem dentro desses mecanismos:

–  A coordenação intramuscular, que é um evento de sincronização que ocorre dentro de um certo músculo, nas suas fibras musculares e também em todas as células que o compõe;

– E a coordenação intermuscular, que é uma espécie de comunicação entre músculos vizinhos que trabalham unidos para um desempenho ótimo de um gesto técnico ou movimento.

Esse aprendizado ‘muscular’ se dá através do treinamento – independente de modalidade, método ou conceito, porém, quanto mais músculos forem solicitados, melhor – que conduzirá a uma comunicação cada vez mais refinada entre o SNC e os músculos.

Quanto mais ênfase se der à liberdade de movimentação do corpo juntamente com um trabalho de força muscular através de pesos livres, por exemplo, dentro de um programa de treinamento, maior será o suporte para uma boa performance da força e coordenação, sejam elas solicitadas simultânea e/ou separadamente, tornando, também, o corpo menos suscetível a lesões.

Um grande número de pessoas que iniciam programa de treinamento ou atividade física, vislumbra quase sempre objetivos estéticos, mesmo que a atividade em si tenha como meta auxiliar no combate a algum tipo de intercorrência orgânica.

Porém, a melhora da estética ou da forma é uma consequência da melhora da função, pois o indivíduo só terá condições de alcançar uma boa forma física se as suas funções orgânicas – celulares, fisiológicas, metabólicas, hormonais, neuromusculares, etc. – estiverem preparadas e adaptadas para permitir que isso ocorra.

O aumento da capacidade funcional do corpo é que vai determinar a melhora da forma. Façamos uma comparação: quanto mais conhecimento adquirirmos, maior será a nossa habilidade e capacidade intelectual. Portanto, inexoravelmente “a função sempre deve vir antes da forma” diria  Louis Henri Sullivan, precursor do design moderno.

Agilidade e coordenação são duas capacidades físicas que se interdependem, e que são muito importantes para a realização da grande maioria das ações esportivas e também para as tarefas do dia-a-dia.

O indivíduo que treina essas duas capacidades, aprimora não só a sua utilização para as ações corporais, como também para ações que envolvem uma maior velocidade de raciocínio, pois como já é bem documentado,  o nosso corpo realiza todo e qualquer movimento mediante o comando do cérebro.

Para treinar a agilidade e a coordenação de forma eficiente, priorizamos exercícios que exijam ações de deslocamento do corpo para todos os sentidos e direções das mais variadas formas, e também alguns exercícios que envolvam velocidade de reação.

Abaixo seguem alguns exemplos de exercícios:

O corpo inteligente

May 30, 2011

Nosso corpo funciona através de uma rede altamente complexa de sistemas e eventos celulares e fisiológicos, onde cada ação orgânica gera uma reação em cadeia. Seu equilíbrio se traduz em harmonia, e sua falta de sincronismo causa um desarranjo orgânico.

Os métodos de treinamento físico têm a finalidade de aprimorar o trabalho do sistema musculoesquelético, respeitando a individualidade de cada pessoa. Cada método com suas particularidades, todos buscam gerar harmonia para desenvolver as habilidades corporais e, consequentemente, melhorar a capacidade funcional de quem pratica.

O Treinamento Funcional tem como objetivo principal trabalhar todas as capacidades do indivíduo, ou seja, tudo o que o ser humano é capaz de fazer, com esse tipo de trabalho, ele fará melhor ainda. Em todas as eventualidades em que necessitar seja de força, de equilíbrio, de coordenação, de agilidade, ou de qualquer outra funcionalidade física, o corpo responderá de forma automática e inteligente.

Numa única sessão de treino nós trabalhamos, de forma atrelada, todas essas capacidades físicas, aproveitando totalmente a integração orgânica do corpo humano, tornando-o mais inteligente para a realização de movimentos.

Coordenação e agilidade

Consciência corporal, equilíbrio, força

Equilíbrio, coordenação